Fórum Arqueologia-PH/2020

Por que as ciências sociais e humanas têm
mostrado desinteresse pela cultura material?
Como isso tem sido negligenciado pela Arqueologia?

Como as coisas e a materialidade
em geral se relacionam com o ser humano e a
“vida social”?
[…] Seguindo contra a máxima
que ” tudo que é sólido desmancha no ar”
[…]
(OLSEN, 2003, p.87)

Dentro da perspectiva (re) materialista da cultura, no que tange ao domínio da Arqueologia, guarda atenção as propriedades materiais e a materialidade dos artefatos e espaços arqueológicos de produção, circulação e recepção desses objetos na dinâmica constituição das relações socioculturais. A paisagem encontra seu lugar de importância ao conectar de modo significativo e simultâneo diversos elementos objetivos e subjetivos dessa relação, que expressam e estabelecem o modo como a sociedade organiza o “ambiente” no qual a cultura é representada, reproduzida e alterada. O intuito do ciclo de palestras é promover a interação de investigações relativas ao papel da paisagem no processo de construção da sociedade e, desse modo, estreitar vínculo da Arqueologia com demais ciências sociais sobre a participação da materialidade nas relações sociais assim como seu impacto e agência no modo de estruturar, organizar e viver das pessoas sobre o mundo.

Entendida como um artefato, a paisagem pode oferecer informações não apenas sob o valor simbólico que lhes foi dotada, como um objeto representacional, mas também sobre conexões estipuladas pelas propriedades materiais dos objetos que a constituem, assim como pela materialidade implicada na sua relação social. Nesse sentido, paisagens declinam de seu caráter passivo de receptáculo cultural para ganharem dinâmica e atuarem como constituidoras da própria cultura que as originou. O vínculo entre a dimensão concreta de paisagens e relações sociais podem oferecer nexos a respeito de ideias e modos de vida estruturantes de uma determinada sociedade.

O estudo da paisagem sob a perspectiva arqueológica acarreta considerar tanto a constituição da sua subjetividade quanto sua materialidade, integrando o comportamento da relação social com a dimensão material que a forma espacialmente. Nesse sentido, a paisagem não é uma mera representação ou apenas uma expressão cultural, mas um dos elementos concretos que afetam e participam da formação social de um determinado grupo, concorrendo para a criação cultural de ações sociais, olhares, usos, modos de vida, imaginários e identidades.

Interessa dizer que existem dois modos solidários e indissociáveis de se conhecer a paisagem, principalmente as urbanas, repletas de cultura material por todos os lados: pela sua dimensão simbólica e pela sua dimensão material. Estas duas dimensões não são excludentes, mas conectadas uma a outra e não operam de modo individualizado, de maneira que, ao analisar uma penetra-se no domínio da outra. Por isso, optar pela (re) materialização da paisagem não significa assumir uma abordagem partitiva e abandonar sua perspectiva simbólica, que tanto enriqueceu os estudos sobre cultura material nas décadas passadas, pelo contrário, aponta para convergir a objetividade da matéria com sua subjetividade, numa abordagem de cunho mais igualitário entre os dois domínios, sob o regime proposto por uma arqueologia simétrica.

Christiane Chagas Martins


LOCAL – DATA/ Plataforma

Plataforma | Gotomeeting

http://global.gotomeeting.com/Join/952698541

Acesso: 952698541

Terças-feiras | 18h30 às 19h30 (On line)
Canal do Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas

Sessão I e II | Setembro, 15 e 29

Sessão III e IV | Outubro, 13 e 27

Sessão V e VI | Novembro, 10 e 24

Sessão VII | Dezembro, 08.

Sessões 

 
SETEMBRO
Sessão I - Dia 15
Uma fortaleza na paisagem sob a perspectiva simétrica da materialidade
Ana Cristina O. Sampaio
Sessão II - Dia 29
Paisagens arqueológicas de guerra
Jaisson Teixeira Lino
OUTUBRO
Sessão III - Dia 13
Lugares e Paisagem durante o Formativo Inicial em Cerro Ventarrón, Lambayeque, Peru - perspectivas interdisciplinares
Marcelo Fagundes
Sessão IV - Dia 27
Florestas - Culturas da Mata Atlântica: legados históricos e interações socioecologicas na paisagem
Alexandro Solórzano
NOVEMBRO
Sessão V - Dia 10
Significoncretizando
Marcos P. Magalhães
Sessão VI - Dia 24
Materialização do intangível em paisagens cotidianas: metodologias para análise de atmosferas afetivas.
Alex Lamounier
DEZEMBRO
Sessão VII Dia 08
Mapas e circulação de artefatos nos encontros coloniais Latino-americanos
André Reyes Novaes

Inscrições





Pesquisadores

Ana Cristina O. Sampaio | Arqueóloga (Universidade Estácio de Sá), Mestre em Museologia e Patrimônio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO), Museu de Astronomia e Ciências Afins MAST/MCT.
Alex Lamounier | Arquitetura e Urbanista, Doutor Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (PPGAU-UFF), Mestre em Geografia, Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pesquisador Pós-Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (PROARQ-UFRJ) e Docente da Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (TUR-EAU-UFF).
André Reyes Novaes | Geógrafo (IGEO/UFRJ), Mestre e Doutor Pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Docente do Departamento de Geografia Humana da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia na mesma instituição.
Alexandro Solórzano | Geografo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Mestre em Botânica pela Escola Nacional de Botânica Tropical do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde desenvolveu pesquisa na área de História Ambiental da Mata Atlântica. Doutor e Ecologia pelo Programa de pós-graduação em Ecologia da Universidade de Brasília, tendo desenvolvido pesquisa na área de Fitogeografia e Ecologia de Comunidades de cerradão. Atua nas seguintes linhas de pesquisa: Biogeografia e Sistemas Socioecológicos, História da Paisagem, Ecologia Histórica, Ecologia Urbana e Relação Sociedade-Natureza.
Jaisson Teixeira Lino | Historiador (Universidade do Extremo Sul Catarinense, Especialista em Arqueologia pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai (URI), Mestre em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Doutor pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro(UTAD) de Portugal/Universidade de São Paulo e Pós-Doutor pela Universidade de Amsterdã, Holanda. Docente da Universidade Federal da Fronteira Sul - UFFS, Campus de Chapecó-SC.
Marcelo Fagundes | Historiador (Universidade de São Paulo), Mestre e Doutor em Arqueologia pelo Programa de Pós Graduação do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (PPG/MAE/USP). Pós-doutorado em Geologia pela UFVJM e Pós-Doutorado em Geografia pela UFMG. Professor Associado I da Faculdade Interdisciplinar em Humanidades da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (FIH/UFVJM). Coordenador do Laboratório de Arqueologia e Estudo da Paisagem (LAEP/CEGEO/ICT/UFVJM). Docente dos Programas de Pós-Graduação em Ciências Humanas (PPGCH/UFVJM) e Geologia (PPGGEO/UFVJM).
Marcos P. Magalhães | Arqueólogo e pesquisador titular do Museu Paraense Emílio Goeldi com graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, mestrado em História Antiga e Medieval e doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem publicados três livros, seis capítulos, um organizado e diversos artigos, todos sobre ou com ênfase em arqueologia da Amazônia e em arqueologia da paisagem. A publicação mais recente é o livro "Amazônia Antropogênica"
Mediadoras/Debatedoras
Christiane Chagas Martins | Arqueóloga e Mestranda em Geografia no Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGEO-UERJ), Especialista em Restauração e conservação de Bens Imóveis - SENAI e Pesquisadora colaboradora no Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas, GPPH-EBA-UFRJ.
Jackeline de Macedo | Arqueóloga pela Universidade Estácio de Sá, Mestre em Arquitetura na área de Preservação do Patrimônio pelo PROARQ/FAU/UFRJ e Doutora em Arqueologia pelo MAE/USP. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa de História do Paisagismo da EBA/UFRJ. Professora colaboradora no Mestrado Profissional em Projeto e Patrimônio – PROARQ/FAU/UFRJ.

Créditos

Realização
Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas | GPPH-EBA/UFRJ

Coordenação

Linha de Pesquisa | A cidade como artefato – arqueologia, paisagens e patrimônio
Profa. Dra. Jackeline de Macedo

Organização
Profa. Christiane Chagas Martins (UERJ)

Comissão Organizadora
Me. Ana Cristina Oliveira
Christiane Chagas Martins
Profa. Dra. Jackeline de Macedo
Prof. Dr. Rubens de Andrade