Projeto de Extensão – PR5 -UFRJ

O projeto RE-VISÕES DO PARAÍSO – cultura paisagística, jardins de prazer e hortas urbanas, foi concebido a partir de questões elencadas pelos pesquisadores do Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GPPH-EBA/UFRJ), ligados à linha de pesquisa A forma-jardim: cultura artística e visual na paisagem urbana. e hortas urbanas, foi concebido a partir de questões elencadas pelos pesquisadores do Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GPPH-EBA/UFRJ), ligados à linha de pesquisa A forma-jardim: cultura artística e visual na paisagem urbana. 

O contexto dos debates relativo ao tema central do projeto, subordinadas ao campo de estudos da paisagem, da cultura paisagística, dos jardins utilitários – hortas e pomares –, dos jardins de prazer e educação alimentar, sinalizam para uma tomada de posição sobre questões que revelam problemas nas cidades contemporâneas, em especial, os hábitos de uma sociedade que está diante de inúmeras crises relacionadas à ausência da qualidade de vida urbana. O “ser” urbano tem presenciado a subtração progressiva de espaços livres públicos onde a relação cultura e natureza se vê afetada pela escassez de jardins de prazer e a ausência de uma cultura de jardins utilitários voltados ao cultivo de hortas e pomares urbanos.

Os jardins na história da cidade se manifestam na trama urbana de diversas formas e com múltiplas funções e escalas nos espaços livres – praças, parques, pátios escolares, quintais. Surgem como locais de lazer ativo, passivo e fruição estética ou, definidos espacialmente para o cultivo de espécies de árvores frutíferas, hortaliças ou ervas medicinais. Não importam quais suas funções, dimensões, forma ou localização, de fato, o conceito e os usos dos jardins historicamente impôs uma dinâmica de usos e apropriação relevante e que hoje, na sociedade contemporânea parece ter sido sensivelmente subtraídos e os que ainda existem, encontram-se muito aquém da sua real potência.

 É justamente focando na potência e amplitude do conceito de jardim – seja ele de prazer ou utilitário – que o projeto RE-VISÕES DO PARAÍSO – cultura paisagística, jardins de prazer e hortas urbanas, busca definir uma práxis pedagógica junto a diferentes grupos sociais no Rio de Janeiro no interesse de ativar e atualizar o conceito de jardins de prazer e hortas urbanas (re)dimensionando a relevância desse elemento no cotidiano do desenho da paisagem urbana.

Diante do escopo estrutural da proposta, pretende-se ativar diferentes interesses das esferas sociais que estarão interagindo com o projeto. Com isso, estaremos requisitando desses atores sociais, práticas de uso, apropriações simbólicas e referenciais signicos relativos à cidadania, ao meio ambiente e a própria história de paisagem. Além desses aspectos é importante destacar que no trâmite das variadas vias processuais que se impõe no cotidiano da cidade, evidenciamos que as interações firmadas através do Projeto de Extensão estarão subordinadas a espaços-tempos pretéritos, aos territórios reais e imaginários e, em especial, as paisagens forjadas no cotidiano dos espaços livres por onde esses grupos sociais –participantes do projeto – transitam. Nessa ordem interpretativa da relação cultura e natureza, consideramos o jardim um relevante vetor de transformação socioespacial, um conceito eficaz e uma geratriz possível para ativar experiências fenomenológicas coletivas e singular a cada indivíduo (BESSE, 2015, p. 45, CAUQUELIN, 2010).

Ao querer interpretar o conceito de jardim na contemporaneidade em suas múltiplas dimensões – local de saúde e prazer estético, zona de experiências míticas e religiosas, local de cultivo de espécies vegetais nutritivas ou, como espaço de práticas artísticas –, revelam a amplitude que em nossa perspectiva, precisa ser resgatada no cotidiano urbano de nossa metrópole. Os aportes processuais vinculados à cultura e ao ambiente, independente de diferentes classes sociais e zonas territoriais da Cidade do Rio de Janeiro, surgem como elementos transversais à proposta e estruturalmente definem o âmbito das ações do projeto, como também, a sua amplitude.

 O aparato conceitual e prático que enuncia a proposta não está sob uma plataforma ideológica que lê a sociedade de forma estratificada mediante ao lugar que hipoteticamente é imputado a cada indivíduo. Nossa linha de análise e ação embaralha tais ideários sociais classicistas quando considera o jardim um elemento transversal à paisagem. Ou seja, o jardim existe sob o signo da beleza, suas formas e funções lhe conferem utilidades, seus conteúdos quando interpretados à luz das atemporalidades são acessíveis a todo e qualquer indivíduo que dele pode usufruir, desde a beleza e aroma de flores e folhagens, dos gostos de frutas, dos sons da fauna que nele também habita, da temperatura do ambiente e da presença da água.

 O jardim na sua essência “está alheio” e necessariamente não se molda à totalidade de classificações de forma e conteúdo, à concepções de mundos que estabelecem padrões arbitrários e estagnados sem seus respectivos tempos e espaços para definir suas dimensões, fronteiras e limites. O jardim deve ser interpretado como um conceito aberto às temporalidades, aos múltiplos espaços onde se materializa e a sua própria potência orgânica e criativa que condiz por essência a algo ordinário e e transversal a sociedade.

Consideramos como premissa que a ideia de jardim vulgarizou-se e encontra-se à deriva aos olhares da sociedade contemporânea. Interpretamos que o jardim, enquanto espaço construído no locus urbano – seja no âmbito privado ou na esfera pública –, parece não adquirir o protagonismo que lhe é devido na paisagem urbana. Com frequência ele surgir como elemento estético, mas ainda assim, conceitualmente frágil no conjunto de ações formais e funcionais que se revelam na retina do passante uma presença transitória da natureza no meio urbano. 

Ao fazer análises hipotéticas desse contexto diante da construção do projeto, destacamos pontos que consideramos favoráveis para alinhar os objetivos e o potencial tangível da proposta, com vistas à mensurar demandas relativas à ausência de jardins de prazer e utilitários em espaços específicos do Rio de Janeiro e ainda, como esse movimento pode tornar possível a dinâmica do projeto. Nesse sentido conseguimos elencar demandas que interpretamos como essenciais para justificar a essência do projeto.

Entre eles destacamos:

  • Afastamento de órgãos públicos na provisão de legislação específica que atenda conflitos de interesses sociais e tensões surgidas no tecido urbano, onde a formulação de uma política paisagística eficaz teria o potencial de mitigar problemas de ordem estrutural no meio ambiente urbano;
  • Afastamento de órgãos públicos na provisão de legislação específica que atenda conflitos de interesses sociais e tensões surgidas no tecido urbano, onde a formulação de uma política paisagística eficaz teria o potencial de mitigar problemas de ordem estrutural no meio ambiente urbano;
  • Escassez de políticas públicas voltadas a projetos para qualificação urbana a partir da construção e usos de jardins de prazer e a multiplicação de jardins utilitários; 
  • Problemas no âmbito alimentar da população, em que ações educativas e atuações na esfera da agroecologia pudessem fomentar uma cultura alimentar cuja presença de jardins utilitários – hortas urbanas, pomares – e a presença de jardins de prazer – com lazer passivo e ativo – poderiam agir como um mecanismo que visasse o equilíbrio de tensões sociais e; 
  • Educação a partir de atividades que despertem a população para a relevância da presença de jardins de prazer e utilitários fomentando a empatia e a formação de interações sócio-espaciais entre a comunidades.

Cada um dos aspectos elencados, indicou caminhos para se pensar o potencial de usos atrelado à áreas devolutas, quintais ou espaços ociosos em escolas ou centros comunitários, casa de idosos entre outros.

O padrão analítico do potencial espacial que surge em áreas de zonas periféricas e carente ou, em locais onde os moradores possuem um poder aquisitivo mais elevado, contudo não estimam a devida importância aos jardins urbanos, foram aspectos fundamentais para justificar o centro das questões e os interesses que definem essa proposta. 

Por fim, deve ser considerado que o Paisagismo é um campo disciplinar múltiplo, uma vez que usufrui do compartilhamento de disciplinas das áreas da Botânica, Agronomia, Belas Artes, Biologia, Arquitetura, Geografia, Nutrição e Assistência Social. Essa polivalência do Paisagismo é revelada no potencial que o projeto possui para não apenas atuar no campo da qualificação da qualidade de vida, mas também, de alterar sistematicamente a dinâmica das paisagens onde as pessoas habitam.

Por parte da Academia, a carência de programas no campo da paisagem na direção que indica esse projeto é rarefeita na Cidade do Rio de Janeiro e por isso justifica a criação não apenas de atividades, mas de uma rede para difusão de informações ligadas ao Paisagismo como ferramenta que venha auxiliar a construção de uma Cultura Paisagística, onde tanto os jardins de prazer quanto os utilitários sejam elevados a um patamar de destaque pela população no seu dia a dia.

Nossa perspectiva interpreta que a Cultura Paisagística pode ser um elemento estruturante na educação da população. Daí, a urgência da transferência e difusão de saberes ligados a essa área de conhecimento para comunidades que trabalham na base da pirâmide social, que necessitam de fundamentos que os ajudem a dimensionar como jardins são essenciais em seu cotidiano. Não ignoramos também grupos sociais que gozam de instrumentos que lhe conferem uma proximidade aos jardins, mas não necessariamente um entendimento estrutural de qual a sua importância na trama urbana.

A partir desse processo, talvez as noções de paisagens, jardins, conservação e preservação comecem a ganhar uma nova perspectiva na construção dos saberes voltados a Educação Paisagística da população seja qual for a sua posição social.

METODOLOGIA E AVALIAÇÃO

Através de uma equipe interdisciplinar formada por paisagistas, historiadores da arte, assistentes sociais, arquitetos, nutricionistas, agrônomos e graduandos de paisagismo e história da arte, além de graduandos e pós-graduandos de instituições públicas e privadas, será colocada em prática a matriz do projeto calcada na discussão acerca dos conceitos de paisagem, cultura paisagística, jardins de prazer,
jardins utilitários e cultura alimentar estabelecidos pelos autores que fundamentam a proposta do projeto. A metodologia da proposta está pautada em um conjunto de ações conceituais e práticas que visam atender as três etapas do projeto, a saber:

FASE I: Jardins de prazer e jardins utilitários: narrativas históricas através da cultura paisagística

Fase II:
Pedagogia dos jardins utilitários: práticas de plantio, hábitos e dietas alimentares;

Fase III:
Jardins de prazer, hortas e pomares: práticas de conservação e agroecologia urbana

INSTITUIÇÕES PARCEIRAS

Paisagista pela Escola de Belas Artes/Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mestre em Ciências da Arquitetura pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura – ProArq – FAU/UFRJ. Doutor em Planejamento Urbano e Regional pelo Programa de Pós-Graduação de Planejamento Urbano e Regional ? IPPUR/UFRJ. Professor Adjunto da Escola de Belas Artes/UFRJ, no Curso de História da Arte. Atua como Coordenador do Grupo de Pesquisas História do Paisagismo- EBA/UFRJ.

Escola de Belas Artes| Universidade Federal do Rio de Janeiro