II COLÓQUIO AMAZÔNIAS, CIDADES E JARDINS

Arquitetura da paisagem e cultura paisagística 13, 14 e 15 de junho de 2018
Ali, não. Desaparecem as formas topográficas mais associadas à existência humana. Há alguma cousa de extraterrestre naquela natureza anfíbia, misto de águas e terras, que se oculta, completamente nivelada, na sua própria grandeza. E sente-se bem que ela permaneceria para sempre impenetrável se não se desentranhasse em preciosos produtos adquiridos de pronto e sem a constância e a continuidade das culturas.  As gentes que a povoam talham-se pela braveza.  Não a cultivam, aformoseando-a: domam-na. O cearense, o paraibano, os sertanejos nortistas, em geral, ali estacionam, cumprindo, sem o saberem, uma das maiores empresas destes tempos. Estão amansando o deserto.
Euclides da Cunha. (Um clima caluniado, 1906).

O II COLÓQUIO AMAZÔNIAS, CIDADES E JARDINS: ARQUITETURA DA PAISAGEM E CULTURA PAISAGÍSTICA se justifica como fórum de debate que visa aproximar as teorias da paisagem às práticas socioespaciais que constituem o desenho das cidades amazônicas, sejam aquelas que alcançaram historicamente o status de grande metrópole, as que nasceram sob o signo de projetos desenvolvimentistas das décadas de 1970 e 1980, as de pequeno porte ou, ainda, as que se constituem em pequenos povoados em meio à floresta ou às margens dos rios.

As questões correlacionadas às trajetórias históricas, às escalas e aos cotidianos destas cidades, vistas à luz do campo de estudos da paisagem, oferecem um amplo aparato de ferramentas que, não apenas deflagram novas interpretações deste ambiente, mas nos dizem muito a respeito da arquitetura da paisagem e da cultura paisagística dessa região, a partir de uma leitura que se sobrepõe ao campo disciplinar dos jardins e do paisagismo.

No arco analítico que se formaliza por meio deste processo, não surgem apenas elementos que instigam a reflexão de conjunto de fenômenos urbanos que se sobressaem nesse cenário: emerge também um debate cuja perspectiva, conforme observa Jean Marc-Besse, auxilia, substantivamente, o “ler” a paisagem e “perceber” os modos de organização do espaço. Nesta ordem discursiva, a paisagem, o espaço e a fenomenologia do lugar, inscrito no universo amazônico, ganha relevância quando tentamos reinterpretar os centros urbanos da região, e, contingencialmente a isso, dimensionar como eles, na atualidade, estabelecem múltiplas formas de relação com seu ambiente. A sombra da floresta, o ritmo das águas de rios, dos igarapés e da chuva, tudo isso é pautado por uma cultura peculiar de grupos sociais que cadenciam cotidianos em meio ao surgimento de dinâmicas urbanas favorecidas por novas mentalidades que se estabelecem nas cidades do século XXI. Logo, migrações transculturais, rearranjos socioespaciais, hibridizações na arquitetura da paisagem e novas experiências paisagísticas seguem criando diferenciados cenários e modus de vivência na urbe amazônica.

Os aspectos de ordem natural ou não consolidados historicamente na paisagem das cidades da Região Norte, somados à dinâmica de um corpo social que enfrenta cotidianamente os desafios e as tensões oriundas das transmutações urbanas em suas múltiplas escalas e dimensões, são o eixo central das discussões deste colóquio. Em paralelo a isso, ganha relevo nas discussões que pautam esse colóquio, questões relacionadas à morfologia, aos usos e fluxos cotidianos da cidade, e aos simbolismos culturais e religiosos que se manifestam na arquitetura da paisagem amazônica (ou que a releem em texto ou imagens), interpretados a partir de seus espaços livres públicos e privados (praças, parques, jardins públicos e privados) como também, pela fenomenologia dos lugares que imantam a cidade – através de leituras transhistóricas e transdisciplinares.

Deste modo, o segundo colóquio desenha-se em três eixos temáticos que pretendem ampliar a discussão sobre as cidades amazônicas que vivem na arquitetura de suas paisagens as transformações e tensões de uma contemporaneidade que se materializa no espaço urbano de forma cada vez mais artificializada e, em determinados momentos, ignora ou mascara substancialmente a dinâmica ambiental e a cultura paisagística própria da região. Portanto, os eixos temáticos também estabelecem uma pauta de discussões sobre práticas políticas e sociais que têm sido colocadas em ação pelo Estado, questionando suas dimensões, limites e descasos com o trato das questões sociais e do ambiente urbano. Essa é mais uma premissa relevante que alinha a discussão sobre a paisagem stricto sensu e o status quo que define o cenário sociopolítico e ambiental amazônico. Nossa intenção é transformar esse debate em uma narrativa teórica e reflexiva que potencialize ganhos efetivos para os estudos sobre a região amazônica.

 


Eixos Temáticos

Aspectos biofísicos e  socioespaciais  das cidades amazônicas

Migrações transculturais: a arte e o campo do sensível na construção da paisagem na Amazônia

Diálogos transdisciplinares no ideário urbano-paisagístico:  o imaginário e o potencial simbólico amazônico

 


Calendário chamada de trabalhos e inscrições

Abertura de inscrição de trabalhos: 01 de fevereiro
Prazo final para inscrição de comunicações, mediante o envio da ficha de submissão 07 de maio
Avaliação pelo Comitê CientíficoDe 10/05 a 20/05
Divulgação da lista de comunicações aceitasDia 22/05
Envio dos trabalhos revisados e inscriçõesDe 23/05 a 27/06
Inscrições de OuvintesDe 22/05 a 13/06

 


Inscrições

INSCRIÇÕES de 01/05/2018 a 15/05/2018 
Profissionais (Comunicador)R$ 260,00 Pagar inscrição
Graduandos/Pós-graduandos (Comunicador)*R$ 200,00 Pagar inscrição
INSCRIÇÕES a partir de 16/05
Ouvintes (Profissionais) R$ 100,00 Pagar inscrição
Ouvintes Graduandos/Pós-graduandos**R$ 60,00 Pagar inscrição

OUVINTES: VAGAS LIMITADAS | O Ouvinte necessita confirmar a disponibilidade de vagas e só então realizar o pagamento. IMPORTANTE: a inscrição somente será efetivada após o preenchimento do formulário de inscrição e o pagamento da taxa.

 


Sobre o envio de Comunicações

Será aceito apenas o envio de trabalhos inéditos e completos. A correta formatação do arquivo é condição absoluta para que o artigo seja publicado. O formato, com seus espaçamentos e todas as instruções, está definido no Template disponibilizado, e deverá ser adotado, sob pena de não aceitação do artigo, mesmo tendo o conteúdo sido aprovado pelo Comitê Científico.
A aceitação de comunicações de graduandos está condicionada à anuência do orientador, que deve constar no crédito do trabalho;

Os trabalhos devem ter no máximo 03 (três) autores – no caso de graduandos, incluindo o orientador.
A aceitação final da comunicação depende dos seguintes critérios: (i) estar inscrita em um dos eixos temáticos, (ii) recomendação dos parecerista e (iii) efetivação pelo(s) autores(es) dos ajustes propostos pela Comissão Científica;

A inscrição do(a) comunicador(a) e a inserção do seu trabalho na programação final do Colóquio somente serão efetivadas após o pagamento e envio do respectivo comprovante para a coordenação do evento pelo correio eletrônico: amazoniascidadesejardins@gmail.com

Os artigos aprovados pelo Comitê científico serão publicados a partir de agosto de 2018 na Revista Eletrônica Paisagens Híbridas, periódico vinculado ao Grupo de Pesquisas Paisagens Híbridas da Escola de Belas Artes/UFRJ.






 


Comissão científica

Prof. Dr.  Adnilson de Almeida Silva (UNIR)
Prof. Dr. Antonio Tolrino de Rezende Veras (UFRR)
Prof. Dr. Artur Rosa Filho (UFRR)
Profa. Dra. Celma Chaves Pont Vidal (UFPa)
Profa. Dra. Cybelle Miranda (UFPa)
Prof. Dr. Edgar Monteiro (UNAMA)
Profa. Dra.  Graciete Guerra (UFRR)
Profa. Dra. Helena Tourinho (UNAMA)
Prof. Dr.  Jader Ferreira (UNAMA)
Prof. Dr. João Cândido André da Silva Neto (UFAM)
Prof. Dr. José Julio (UFPa)
Prof. Dr.  Josué da Costa Silva (UNIR)
Profa. Dra. Márcia Camargo (UFT)
Prof.  Dr.  Marcos de Lima (UFAM)
Profa. Dra.  Roberta Menezes Rodrigues (UFPa)
Prof. Dr. Ricardo Gilson da Costa Silva (UNIR)
Profa. Dra. Tatiana Schor (UFAM)

 


Localização

Museu Paraense Emílio Goeldi
Av. Magalhães Barata, 376 – São Braz – Cep: 66040-170 – Belém – PA – Brasil

 

 


Créditos
Realização | Grupo de Pesquisa Paisagens Híbridas – GPPH-EBA/UFRJ
Coordenação | Prof. Dr.  Rubens de Andrade

Comissão organizadora

João Paulo Amaral
Arquiteto e Urbanista (UNAMA), Mestre em Arquitetura Paisagística (Prourb-FAU-UFRJ)
Fundação Cultural do Estado do Pará

Aldemar Norek
Arquiteto e Urbanista (UFRJ) | Procuradoria Geral do Rio de Janeiro/ Mestre e Doutorando – PROARQ-FAU/UFRJ
Pesquisador do Grupo de Pesquisa Paisagens Híbridas – GPHP-EBA/UFRJ

Profa.  Dra.  Jackeline de Macedo
Professora Visitante do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura -PROARQ-FAU-UFRJ
Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Paisagens Híbridas (GPPH-EBA/UFRJ)

Prof. Dr. Pedro Mergulhão
Professor Assistente na Universidade Federal do Amapá – UNIFAP.
Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Urbanismo – PROURB-FAU/UFRJ
Pesquisador do Grupo de Pesquisa Paisagens Híbridas – GPHP-EBA/UFRJ

Thiely Oliveira Garcia 
Oceonógrafa
Doutoranda em Ecologia Aquática e Pesca  (Universidade Federal do Pará- UFPA)

Bolsistas
Julia Cavalvante Almeira (EBA/UFRJ)
Matheus Dal Bem (EBA/UFRJ)
Douglas Oliveira (UFPa)

Apoio
Escola de Belas Artes/UFRJ
Museu Emílio Goeldi

 

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