A experiência estética da paisagem é uma experiência política, e explorar as partes que a compõem, suas características e suas relações, sua diversidade de formas, usos e sentidos, procurar juízos que deem conta dos mecanismos de desrealização, este percurso acidentado é que pode nos remeter a uma reapropriação política da paisagem, a seu efetivo domínio. Produto humano, fato da cultura, a paisagem traz impressa em tudo que a constitui as pautas, os rituais e os significados simbólicos da sociedade que a produziu – traz em si, portanto, forte componente ideológica, que pode ser analisada a partir de sua formulação, como também na apropriação pela sociedade. Visões idealizadas propostas pelos agentes do capital, de um lado (nos projetos de incorporação de edifícios ou nos espaços de renda maximizada dos shopping-centers), e pelos agentes políticos, de outro (na proposição de novos edifícios institucionais e espaços públicos), atuam igualmente como desrealizadoras, como promotoras de um significado outro que se quer sobrepor, no sentido de ilusão ao que de fato se dá – a paisagem adquire, assim, uma conotação ideológica na polis contemporânea. Entre a paisagem urbana, a paisagem comercial, a paisagem industrial, a paisagem bucólica de uma Arcádia eternamente ressuscitada a cada volta do sistema, a paisagem dos guetos e a paisagem do deserto, busca-se no estudo da relação entre a ideologia e das formas que nela se amparam um conjunto de interpretações que deem conta do presente.

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